Referência de Cores Manual de Utilização do Guia de

Pode-se dizer que existem diferentes métodos utilizados na criação de cores. As cores produzidas pelo monitor do computador ou pela impressão são exemplos distintos de reproduções de cores.

Por esse motivo, o conceito disseminado com o DTP (desktop publishing) de que aquilo que se vê no monitor é o que será impresso (WYSIWYG) é falso, quando se trata de cores. O modo como os fósforos dos monitores exibem cores é diferente do modo como as tintas impressas as reproduzem. Os resultados podem ser decepcionantes quando se comparado às cores impressas e as cores exibidas no monitor do computador.

As cores do monitor são criadas por adição de luz. Neste processo, luzes vermelha, verde e azul (RGB – em inglês: red, green e blue) são combinadas em distintas intensidades para produzir as demais cores. Um monitor colorido de 24 bits de alta resolução pode exibir 16,7 milhões de diferentes cores, o que é muito mais do que cerca de 10 milhões de cores que o olho humano é capaz de distinguir.

Na impressão, as cores são formadas por síntese subtrativa. São três cores primárias – cyan, magenta e amarelo – utilizadas para filtrar certos comprimentos de onda da luz, enquanto transmitem ou refletem outros. Por exemplo, a tinta amarela absorve o azul e transmite uma mistura de luzes verde e vermelha; o cyan absorve luz vermelha e transmite luzes verde e azul; o magenta absorve luz verde e transmite luzes vermelha e azul; e o preto absorve toda a luz incidente. Se os pigmentos das tintas de escala fossem colorimetricamente puros, a combinação de proporções iguais de amarelo, magenta e cyan produziria o preto puro. Entretanto, as tintas não são puras e o resultado é um tom marrom quente (avermelhado).

O número de cores que podem ser reproduzidas na impressão depende da qualidade das tintas, dos suportes, da máquina impressora e das condições de ajuste dos componentes do equipamento (pressão de impressão, alimentação de tinta e de solução de molhagem, altura das blanquetas etc). Por exemplo, um papel revestido brilhante, de alta qualidade, pode exibir cerca de quatro a seis mil cores, enquanto um papel jornal não consegue reproduzir mais do que duas mil cores.

Como visto, as cores no monitor nunca se igualarão exatamente às cores impressas e em muitos casos, nem serão parecidas. E é por isso que fica imprescindível a presença de um guia de cores que mostre exatamente como as diversas combinações de tintas e de suportes ocorrerão na impressão. Uma vez conhecidas as porcentagens exatas das tintas de cada cor, pode-se criar uma paleta de cores para a preparação da arte-final, assegurando que o resultado impresso atenda às expectativas a despeito do que se vê no monitor.

O guia de cores True Color System surgiu exatamente para suprir essa demanda e a necessidade que o mercado tem de prever o comportamento das cores em diferentes substratos e sistemas de impressão.

O True Color System exibe dezenas de milhares de tonalidades de cores compostas por combinação de tintas de escala em porcentagens que variam em acréscimos de 5% em 5%, geradas em computador, além de imagens e cores especiais muito utilizadas pelo mercado gráfico promocional e pela indústria de embalagens.

É uma ferramenta profissional dirigida a designers gráficos, agências de publicidade, impressores, fotógrafos, departamentos de marketing de grandes empresas, fabricantes de tintas, estudantes e todos aqueles ligados às Artes Gráficas, Criação e Comunicação que criam materiais para impressão por todos os processos e em todos os suportes, cobrindo todo o espectro de cores imprimíveis. Cada uma das cores do guia tem a indicação das porcentagens de tintas amarela, magenta, cyan e preta que compõem a cor em questão, exatamente como será impressa.

Como utilizar o Guia de cores True Color System.

Como utilizar o Guia de cores True Color System

Os blocos de cada cor estão assinalados de modo a facilitar a identificação das cores e das porcentagens de pontos de retícula que os compõem. A área dos blocos é suficiente para permitir a leitura densitométrica ou espectrofotométrica de cada cor. O arranjo dos blocos é progressivo desde uma cor até a sobreposição de quatro cores, em incrementos de 5% de retícula.

A visualização de uma cor é afetada pelas cores circundantes devido ao contraste simultâneo. Por isso, utilize a janela com fundo neutro (acima), para neutralizar a influência das demais cores.

A Norma ISO 12657-2 foi seguida na produção das tabelas e nos processos onde aplicada. Os detalhes técnicos encontram-se nas folhas de especificação que precedem cada substrato.

A maioria dos programas gráficos aplicativos disponíveis nos computadores PC e Mac suportam o sistema de cores CMYK, como o Adobe Illustrator, o Adobe Photoshop, o Corel Draw, o Freehand, o Painter e o InDesign. Para usar o guia de cores True Color System, simplesmente escolha o bloco de cor e digite as porcentagens de retícula correspondentes no programa aplicativo que estiver usando. Por exemplo: 80% de amarelo e 40% de magenta produzem um tom laranja; adicionando 10% de cyan ou de preto produzirão um tom mais escuro da mesma cor. Lembre-se: as cores no monitor não se igualarão às cores do guia, visto que aquelas representam as cores finais impressas. Recomenda-se uma calibragem da temperatura da cor do monitor ao redor de 5300º K para visualização mais próxima da cor real impressa.

É importante ressaltar que antes de iniciar um projeto gráfico, diversos fatores precisam ser levados em consideração:

a) Como é o produto a ser impresso?; b) Quantas cores podem ser usadas?; c) O suporte será revestido ou não-revestido?; d) Qual lineatura de retícula produzirá o melhor resultado no papel escolhido?; e) A gráfica utiliza CTP?; f) Qual o processo de provas?; g) Qual o ganho-de-ponto na impressão? h) Já foi compensado antes de gravar a chapa?. A brancura e as características superficiais do papel afetam substancialmente a aparência das cores impressas.

No processo de impressão em quadricromia, matrizes de pequenos pontos reticulares são combinadas para produzir todo o espectro de cores. Diferente das cores aditivas dos monitores, cujos pontos têm o mesmo tamanho e variam em luminosidade, os pontos impressos no processo subtrativo variam em tamanho e em número de pontos por área. Cada uma das cores deve ser inclinada num ângulo diferente. Os ângulos tradicionais são: 45° para o preto, 75° para o magenta, 15° para o cyan e 90° para o amarelo. Dependendo das cores, pode ocorrer um padrão de interferência chamado moiré. O moiré não é visível no monitor do computador nem na maioria dos sistemas de provas de pré-impressão. É mais pronunciado com algumas cores e pode mudar o resultado. Nesse caso, os ângulos devem ser alterados ou a forma de ponto e a lineatura de uma das cores (geralmente o amarelo) devem ser modificadas. Recomenda-se portanto o uso da tricromia CMY sempre que possível nas composições de cores com ponto de retícula inferiores a 50% e pequenas áreas de sombra.

A condição mais segura de garantir que o projeto gráfico será impresso com a qualidade desejada, antes da impressão, é tirar uma prova. Existem diversos sistemas de provas analógicas e digitais, tais como: Chromedot, Cromalin, Matchprint, PressMatch, Rainbow, Ink-jet, Laser, Cera Térmica, de diversos fabricantes e tecnologias mas infelizmente, a maioria não reproduz o mesmo resultado da impressão. São ferramentas necessárias mas não suficientes para garantir a fidelidade das cores do material impresso. É possível minimizar esta diferença à partir de um processo de correto gerenciamento de cores.